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Ultima atualização em 4 de Setembro de 2026 às 12:32

Docente permanente do PPGSND coordena projeto COPAIFERA, aprovado em edital CNPq


O professor Gabriel Brito Costa, docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), coordena o projeto COPAIFERA – Centro de Observações e Pesquisas da Agrosociobiodiversidade Integrando Florestas e Ecossistemas Regenerados na Amazônia, aprovado em 3º lugar na Chamada CNPq/CAPES/IRD nº 27/2025, voltada ao apoio ao Centro Franco-Brasileiro de Biodiversidade Amazônica.

A aprovação representa um importante reconhecimento à produção científica desenvolvida na Amazônia e amplia a inserção internacional da UFOPA em pesquisas relacionadas às mudanças climáticas, biodiversidade, bioeconomia e monitoramento ambiental. O projeto reúne pesquisadores e instituições brasileiras e internacionais e é liderado pelo professor Gabriel Costa, coordenador do Polo Santarém da Rede BIONORTE.

Professor da UFOPA e pesquisador da área de Ciências Ambientais, Gabriel Costa coordena o Laboratório de Agrometeorologia com Modelagem da Bioeconomia e Diagnóstico Ambiental (LAMBDA). Sua formação em Meteorologia e doutorado em Ecologia Aplicada orientam uma trajetória de pesquisa voltada às interações entre biosfera e atmosfera, mudanças climáticas, sensoriamento remoto, agricultura sustentável e bioeconomia amazônica.

Nos últimos anos, o grupo coordenado pelo docente vem estruturando uma rede de monitoramento ambiental de longo prazo na Amazônia, integrando torres micrometeorológicas, medições de gases de efeito estufa, sensoriamento remoto e inteligência artificial para compreender os efeitos dos diferentes usos da terra sobre o funcionamento dos ecossistemas amazônicos.

Integração entre pesquisa brasileira e francesa

O COPAIFERA dá continuidade a esse processo de consolidação de infraestrutura científica e cooperação internacional. Uma das principais parcerias do projeto é com o INRAE/UMR EcoFoG, na Guiana Francesa, permitindo integrar áreas de floresta primária monitoradas há décadas com a rede brasileira de acompanhamento de florestas secundárias, sistemas agroflorestais, pastagens e áreas agrícolas.

De acordo com o professor Gabriel Costa, essa integração possibilita uma abordagem inédita para compreender como diferentes ecossistemas amazônicos respondem às mudanças climáticas e às transformações no uso da terra.

Mais do que um reconhecimento institucional, considero essa conquista um investimento estratégico na ciência produzida na Amazônia para a Amazônia”, destaca o pesquisador. Para ele, o resultado demonstra a capacidade de instituições localizadas na região amazônica de produzir ciência de excelência utilizando infraestrutura instalada no próprio território e formando pesquisadores capazes de responder aos grandes desafios ambientais contemporâneos.

Rede científica reúne 15 instituições

O projeto contará com uma ampla rede de instituições de ensino, pesquisa e inovação. No Brasil, participam UFOPA, IFPA, UFPA, UFRA, UFAM, INPA, UFT, CENSIPAM, USP, UNESP, UFMS, UFRN e INMET. No exterior, a cooperação é liderada pelo INRAE/UMR EcoFoG, na Guiana Francesa, com colaboração da University of California, Davis, nos Estados Unidos, e da Hochschule für Angewandte Wissenschaften Hamburg, na Alemanha.

A proposta terá 36 meses de duração e contará com R$ 298.800,00 em recursos do CNPq, destinados principalmente a missões científicas, atividades de campo e intercâmbio internacional. O IRD disponibilizará € 76.936,00 para apoiar as atividades da equipe francesa, enquanto a CAPES aportará R$ 295.372,00 em bolsas de Doutorado Sanduíche e Pós-Doutorado no Exterior. O conjunto dos recursos aprovados totaliza R$ 1.071.175,20.

Ciência, formação e desenvolvimento sustentável na Amazônia

Entre os objetivos do COPAIFERA está a consolidação de uma nova geração de pesquisas ambientais baseadas em observações contínuas e de longo prazo, fortalecendo a cooperação científica internacional e a formação de mestres, doutores e pesquisadores na região.

O projeto também deverá produzir informações estratégicas para políticas públicas relacionadas ao clima, conservação da biodiversidade, restauração florestal, agricultura sustentável e mercado de carbono, além de aproximar a universidade de comunidades tradicionais, agricultores e gestores públicos.

Para o professor Gabriel Costa, a aprovação do projeto representa uma conquista coletiva e evidencia o papel estratégico das universidades amazônicas na produção de conhecimento científico com alcance internacional.

“A Amazônia é uma das regiões mais importantes do planeta para o equilíbrio climático global. Produzir ciência de qualidade na própria Amazônia significa gerar conhecimento onde os fenômenos realmente acontecem.”

Segundo o pesquisador, a iniciativa também reforça a importância do investimento contínuo em ciência, infraestrutura e formação de pesquisadores na região, demonstrando que universidades públicas amazônicas podem liderar pesquisas de alcance internacional e contribuir para o enfrentamento de desafios globais relacionados às mudanças climáticas, à biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável.

A aprovação do COPAIFERA fortalece, assim, a atuação da UFOPA e do PPGSND na produção de conhecimento interdisciplinar sobre as relações entre sociedade, natureza e desenvolvimento, ampliando a cooperação científica e a formação de pesquisadores comprometidos com os desafios contemporâneos da Amazônia.

Estação de pesquisa instalada na Fazenda Experimental da Ufopa